Te tranquei no meu quarto escuro, aquele que ninguém entra e que acumulam as bagunças. Achei que estava resolvendo as coisas, mas quando você grita de lá de dentro eu resolvo abrir, eu abro a porta e sem entrar me vejo encarando tudo o que tem ali dentro, sentada no chão de frente pra porta abraçando meus joelhos, ora desesperada ora com vontade de entrar e te expulsar de lá.
Eu relembro nós, releio as conversas, me dá saudade e eu me afasto da porta com medo de entrar "e se eu não conseguir sair mais?", me dá vontade de limpar e organizar tudo o que tá ali, mas acho que não me sinto capaz de te expulsar, "só mais um pouco" eu minto pra mim.
Neste quarto que ninguém visita eu coloco em caixas menores todos os desamores que existiram depois de você, os reprimidos, os secretos, os platônicos e os fantasiosos. Você os olha com respeito e uma certa superioridade, nenhum deles será como você. Diferente deles, você sabe exatamente onde está, conhece todas as prateleiras quebradas e procrastina o conserto, vê beleza em como certas coisas são, cuida para que elas não criem pó, faz com que esse quarto seja tão seu que eu também não deixo te tirarem de lá.
Meu problema favorito, minha angústia de estimação, como eu poderia te expulsar desse quarto?

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