Quando eu disse adeus pro amor da vida eu descobri outra vida, a minha vida. E quando eu parei pra olhar com calma o mundo me vi encantada por ele...não o mundo, outro mundo, não que eu ache que vou conseguir descrever, mas vale a tentativa.
Ele tem piadas péssimas mas ele ri de todas, ri de um jeito de quem não se leva tão a sério, vê a vida com uma leveza que eu sempre achei que não era pra mim. Ele se interessa pela fala do outro, ajuda e nunca diz não pra alguém, não tem opinião formada sobre muita coisa e pode responder sua pergunta com um "não sei" sem nenhum constrangimento.
Tanta simplicidade me dá medo, me assusta pela falta de controle que eu não posso ter com um sentimento por outro alguém depois de tanto tempo, mas quanto mais eu conheço ele, mais eu quero conhecer.
Num ímpeto que não faz parte de mim eu me declarei, me declarei porque ouvi dia desses que o amor não é uma lista, muito menos um jogo. Uma ficha caiu e me fez buscar essa vulnerabilidade que a sinceridade nos traz. Acho que só não me declarei antes pelo medo que eu tenho dele, mas isso não é sobre ele, é sobre mim.
Eu estou tentando me jogar mais, fazer primeiro e pensar depois, eu que sempre me preocupo demais com o julgamento alheio tô tentando, verdadeiramente, não me colocar como culpada nas situações mais banais até essas que dominam o coração da gente.
Eu não sei o dia exato, eu sei que ele me deixava nervosa, eu sei que de repente eu comecei a esperar encontrar ele, sei que quando eu vi eu já estava nesse lugar, algo inédito foi eu gostar assim, de graça, de uma forma que eu gosto do jeito engraçado dele rir ou como ele segura o cigarro, coisas que só tem nele, eu também guardei minhas palavras por tanto tempo, por medo da rejeição, do fracasso, por me achar menos, pior, não merecedora de qualquer retribuição. E o meu discurso teve tudo isso, se você está se perguntando sobre a resposta...Ele me respondeu como uma pessoa que não leva a vida tão a sério e me confundiu mais um pouco.
Ele não entende meus termos e piadas, não se ofende em dizer que não sabe e com uma ingenuidade quase infantil me faz explicar o que eu quis dizer. É muito louco ele ter algo que eu perdi faz um tempo, ele é puro nas palavras e ruim com ironias. Logo eu que caminhei tanto tempo dessa maneira me vejo tendo que dizer o que realmente estou sentindo e isso se torna difícil a cada dia, na verdade é um exercício.
Seria mais fácil se eu realmente não sentisse uma conexão em nós, daquelas que vc pode só ficar em silêncio, daquelas que a presença é o bastante e quando eu preciso dizer tchau fica uma sensação de que faltou dizer algo.
Tento me convencer diariamente que isso não passa de uma loucura da minha cabeça que ainda não desvendei na terapia, repito pra mim como um mantra que tudo isso passa, mas só aumenta minha vontade de descobrir o universo dele.