Portas Abertas

terça-feira, 14 de maio de 2019
Eu não abro portas, não ouso entrar onde não há convite, só entendo sinais quando eles já não podem ser chamados assim.

Não me eximo de qualquer culpa, posso não ter percebido no início ou ter ficado um certo tempo em estado de negação, mas eu quis também.
Sou tão transparente com minhas palavras e gestos que eles transitam rapidamente entre o cômico e o rude, tanto que enquanto você pensava sobre nós, eu simplesmente não pensava em nada.

Eu não vi o tamanho do espaço que eu ia encontrar, para mim era só mais uma das tantas portas abertas que eu havia encontrado até ali, acessos que sempre se fecharam tão rapidamente e deixaram de herança incontáveis frustrações.

A desvantagem é que não há ajuda quando você não avisa antes de entrar, não pede licença, simplesmente vê o acesso e entra. Gosta do ambiente, traz uma muda de roupa, talvez um quadro familiar, coloca no rádio a música que ama, muda a cor das paredes, os móveis de lugar e a energia de ambos se torna outra. Quase sempre esse ambiente é alugado e virá com uma ordem de despejo sem aviso prévio, te deixa lembranças de momentos bons vividos ali e deixa saudades de planos que você tinha se pudesse ficar mais.

Só algumas portas me deixam com vontade de voltar e a sua é a primeira delas.

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